Tuesday, May 27, 2008

Viver plenamente




“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

C. Lispector

Monday, May 05, 2008

Um pouco de Clarice no dia é sempre bom!


Numa conversa no MSN, Diego me falou do que as coisas que Clarice escreveu provocam nele. Concordamos em dizer que Clarice nos diz. Coisas de Clarice pra vc, Di.

Sim, esta é a vida vista pela vida. Mas de repente esqueço como captar o que acontece, não sei captar o que existe senão vivendo aqui cada coisa que surgir e não importa o quê: estou quase livre de meus erros. Deixo o cavalo livre correr fogoso. Eu, que troto nervosa e só a realidade me delimita.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

O mundo não tem ordem visível e eu só tenho a ordem da respiração. Deixo-me acontecer.

Um dia eu disse infantilmente: eu posso tudo. Era a antevisão de poder um dia me largar e cair em um abandono de qualquer lei. Elástica. A profunda alegria: o êxtase secreto. Sei como inventar um pensamento. Sinto o alvoroço da novidade. Mas bem sei que o que escrevo é apenas um tom.

Quero ser enterrada com o relógio no pulso para que na terra algo possa pulsar o tempo.

No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.

Arrepio-me toda ao entrar em contato físico com bichos ou com a simples visão deles. Os bichos me fantasticam. Eles são o tempo que não se conta. Pareço ter certo horror daquela criatura viva que não é humana e que tem meus próprios instintos embora livres e indomáveis. Animal nunca substitui uma coisa por outra.


Nada existe de mais difícil do que entregar-se ao instante. Esta
dificuldade é dor humana. É nossa. Eu me entrego em palavras e me entrego quando pinto.


O horrível dever é o de ir até o fim. E sem contar com ninguém. Viver-se a si mesma. E para sofrer menos embotar-me um pouco. Porque não posso mais carregar as dores do mundo. Que fazer quando sinto totalmente o que outras pessoas são e sentem? Vivo-as mas não tenho mais força. Não quero contar nem a mim mesma certas coisas. Seria trair o é-se. Sinto que sei de umas verdades. Que já pressinto. Mas verdades não têm palavras. Verdades ou verdade? Não vou falar no Deus, Ele é segredo meu.

A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer.

Dor é vida exacerbada. O processo dói. Vir-a-ser é uma lenta e lenta dor boa. É o espreguiçamento amplo até onde a pessoa pode se esticar. E o sangue agradece. Respiro, respiro.

É tão bom que as coisas não dependam de mim.

Oh, como tudo é incerto. E no entanto dentro da Ordem.

Trechos de 'Água Viva'.

Tuesday, April 29, 2008

K.I.S.S. (Keep It Short and Simple)



Indo à João Pessoa domingo de manhã ver meu pai e meu irmão. Olhos marejados ouvindo a música Angel, de Jack Johnson - uma das músicas mais simples e belas que já ouvi. Jack Johnson é expert nisso. Nunca vi ninguém compor com tanta simplicidade e beleza. He's awesome!

Angel

Jack Johnson

I've got an angel
She doesn't wear any wings
She wears a heart
That could melt my own
She wears a smile
That could make me wanna sing
She gives me presents
With her presence alone
She gives me everything
I could wish for
She gives me kisses on the lips
Just for coming home

She could make angels
I've seen it with my own eyes
You gotta be careful
When you've got good love
Cause the angels
Will just keep
On multiplying

But you're so busy
Changing the world
Just one smile
Can change all of mine
We share the same soul
Oh, oh, oh, oh, oh, ohhh
We share the same soul
Oh, oh, oh, oh, oh, ohhh
We share the same soul
Oh, oh, oh, oh, oh, ohhh
Oh, oh, oh, oh, oh, ohhh
Umm, umm, umm, uhhhhhhmm


Thursday, April 24, 2008

Doors


Enquanto esperava para ser atendida por Dr. Tércio (psicanalista), esta era a visão que eu tinha: a porta de entrada para o consultório de outra psicóloga. No tapete tem 'Bem-Vindo' escrito. Mais ao fundo, um divã e uma cortina branca do lado. Diante dela, pensei na função de portas. É meio viajoso, mas a primeira coisa que pensei foi no desenho que assistia quando criança Caverna do Dragão (segredo: assistia depois de grande também! rs). Sim, Jossely, que porta você via em Caverna do Dragão? Na verdade, havia um portal para outro mundo (só no episódio final ficamos sabendo que o outro mundo era na verdade o mundo real e que eles estavam mortos tentando voltar para casa todos os dias). Essa é uma das funções das portas para mim. Elas funcionam como portais para outras realidades. Na escola em que trabalho há cinco salas de aula, todas com o mesmo padrão de decoração. No entanto, quando entro nelas sinto-me diferente de quando estou na sala dos professores ou na sala do chefe (I've been going there so often recently ... rs), por exemplo. Daí quando meus alunos chegam, a realidade é de alguma forma modificada, mas ainda tenho a mesma sensação de quando entrei na sala - sou responsável por aquele espaço. Quando atravesso a porta de casa, sinto-me abrigada. Quando atravesso a porta do consultório de Dr. Tércio, sinto-me dentro de mim mesma. Quando atravesso portas, experimento formas de ser. Experimento.

Como não podia deixar de ser, tenho que citar C. Lispector. Nessa citação, ela fala de janelas (nesse momento, entendamos como uma variável da porta).

"Minha liberdade pequena e enquadrada me une à liberdade do mundo - mas o que é uma janela senão o ar emoldurado por esquadrias? Estou asperamente viva."
Clarice Lispector em Água Viva

Sunday, January 27, 2008

YOU LEARN - Alanis Morissette

I recommend getting your heart trampled on to anyone
I recommend walking around naked in your living room
Swallow it down (what a jagged little pill)
It feels so good (swimming in your stomach)
Wait until the dust settles

You live you learn
You love you learn
You cry you learn
You lose you learn
You bleed you learn
You scream you learn

I recommend biting off more than you can chew to anyone
I certainly do
I recommend sticking your foot in your mouth at any time
Feel free
Throw it down (the caution blocks you from the wind)
Hold it up (to the rays)
You wait and see when the smoke clears

Wear it out (the way a three-year-old would do)
Melt it down (you're gonna have to eventually anyway)
The fire trucks are coming up around the bend

You grieve you learn
You choke you learn
You laugh you learn
You choose you learn
You pray you learn
You ask you learn
You live you learn


Acho q não se tem muito a falar qdo se ouve ou lê uma composição de Alanis. Essa é uma das minhas favoritas!


Thursday, November 29, 2007

.SomoS.


Recuso-me a usar palavras q descrevam q tipo de relacionamento nós temos... somos! e só!Cansei das palavras q definem e por sua vez dão fim àquilo q vive da infinita possibilidade de ser o q quisermos q seja. Por isso, somos! Te amo!

Friday, November 16, 2007

Para mim e para vc! ^^


Depois d um longo tempo, postando d novo... postando pra mim - pela necessidade d dizer as coisas, muitas vezes - e postando pra Diego - q como eu adora ler Clarice e se vê naquilo q ela escreve. Aliás, se ver nua e cruamente se faz bastante necessário... eh só a partir disso q se vê todo o resto do jeito q o resto realmente eh - nu e cru - essencialmente. Bom, como jah ficou claro, o q vou postar eh d Clarice (d novo! ^^)... ainda naum achei nada q se compare ao q ela diz! nem nunca vou achar - certa disso!


A descoberta do amor
“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.

Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.Pois juro que a vida é bonita.”

Monday, September 24, 2007

Sunday, September 23, 2007

=X




















Picture 1: Pedro Targino - my action 6 student
Picture 2: Nayana Coutinho - my action 6 student
Esse povo que vive mostrando as peças íntimas... sei não, viu?

Sunday, September 09, 2007

Ai ai...


É, mais um domingo está se indo... se produzi? depende... não fiz o que tinha de fazer do trabalho, mas fiz coisas que me deram muito prazer, como por exemplo:


1) Ler Clarice Lispector. Caramba! É sempre formidável lê-la. Hoje, li Água Viva. Já tinha começado há um tempo atrás e parado. Comecei tudo de novo e, como não podia deixar de ser, foi fantástico. Vê só uns trechos do que me fez feliz hj:


"O mundo não tem ordem visível e eu só tenho a ordem da respiração. Deixo-me acontecer."


"Minha liberdade pequena e enquadrada me une à liberdade do mundo - mas o que é uma janela senão o ar emoldurado por esquadrias? Estou asperamente viva."


"Mas a palavra mais importante da língua tem uma única letra: é. É.
Estou no seu âmago.
Ainda estou.
Estou no centro vivo e mole,
Ainda.
Tremeluz e é elástico. Como o andar de uma negra pantera lustrosa que vi e que andava macio, lento e perigoso. Mas enjaulada não - porque não quero. Quanto ao imprevisível - a próxima frase me é imprevisível. No âmago onde estou, no âmago do É, não faço perguntas. Porque quando é - é. Sou limitada apenas pela minha identidade. Eu, entidade elástica e separada de outros corpos."


"Então sonhei uma coisa que vou tentar reproduzir. Trata-se de um filme que eu assistia. Tinha um homem que imitava artista de cinema. E tudo que esse homem fazia era por sua vez imitado por outros e outros. Qualquer gesto. E havia a propaganda de uma bebida chamada Zerbino. O homem pegava a garrafa de Zerbino e levava-a à boca. Então todos pegavam uma garrafa de Zerbino e levavam-na à boca. No meio o homem que imitava artista de cinema dizia: este é um filme de propaganda de Zerbino e Zerbino na verdade não presta. Mas não era o final. O homem retomava a bebida e bebia. E assim faziam todos: era fatal. Zerbino era uma instituição mais forte que o homem. As mulheres a essa altura pareciam aeromoças. As aeromoças são desidratadas - é preciso acrescentar-lhes ao pó bastante água para se tornarem leite. É um filme de pessoas automáticas que sabem aguda e gravemente que são automáticas e que não há escapatória. O Deus não é automático: para Ele cada instante é. Ele é it."


"Será que isto que estou te escrevendo é atrás do pensamento? Raciocínio é que não é. Quem for capaz de parar de raciocinar - o que é terrivelmente difícil - que me acompanhe. Mas pelo menos não estou imitando artista-de-cinema e ninguém precisa me levar à boca ou tornar-se aeromoça."


"Preciso sentir de novo o it dos animais. Há muito tempo não entro em contato com a vida primitiva animálica. Estou precisando estudar bichos. Quero captar o it para poder pintar não uma águia e um cavalo, mas um cavalo com asas abertas de grande águia."


"Mas não sei como captar o que acontece já senão vivendo cada coisa que agora e já me ocorra e não importa o quê. deixo o cavalo livre correr fogoso de pura alegria nobre. Eu, que corro nervosa e só a realidade me delimita. E quando o dia chega ao fim ouço os grilos e torno-me toda cheia e ininteligível. Depois a madrugada vem com seu bojo pleno de milhares de passarinhos barulhando. E cada coisa que me ocorra eu a vivo aqui anotando-a pois quero sentir nas minhas mãos perquiridoras o nervo vivo e fremente do hoje."


"Vou te dizer uma coisa: não sei pintar nem melhor nem pior do que faço. Eu pinto um "isto". E escrevo com "isto" - é tudo o que posso. Inquieta. Os litros de sangue que circulam nas veias. Os músculos se contraindo e retraindo. A aura do corpo em plenilúnio. Parambólica - o que quer que queira dizer essa palavra. Parambólica que sou. Não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maças. Eu sou uma cadeira e duas maças. E não me somo."


2) Ouvi Legião Urbana, e a beleza de músicas como "Perfeição":


"Venha, meu coração está com pressa, qdo a esperança está dispersa, chega de maldade e ilusão. Venha, o amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera, só a verdade me liberta. Venha, que o que vem é perfeição!"


3) Ouvi também Jack Johnson:


"Look at all those fancy clothes,

But these could keep us warm just like those.

And what about your soul? Is it cold?

Is it straight from the mold, and ready to be sold?

And cars and phones and diamond rings,

Bling, bling, because those are only removable things.

And what about your mind? Does it shine?

Are there things that concern you, more than your time?

Gone, going. Gone, everything. Gone, don’t give a damn.

Gone, be the birds, when they don’t wanna sing.

Gone, people, all awkward with their things,

Gone."


4) Trilha sonora de "Amélie Poulain", e daí me senti dentro do filme... parecia q tava andando naquelas ruas, no café q ela trabalha e naquela casa lindinha q ela mora.


5) Falei com meu pai no MSN! E ele disse q me amava!


6) Tive um desentendimento com Luca... mas acho q foi pro nosso bem!


7) Vi Priscila e fui à casa dela depois q ela chegou de viagem dizendo que tudo foi muito bom lá em Recife.


8) Conversei com Verônica no MSN e passei o livro "Água Viva" pra ela, que adorou um trecho do livro que citei, falando de violetas... lindo o trecho!
"A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca o seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer."

9) Acabei de conversar com Lia, que há tempos não conversava, e que segundo ela mesma foi uma conversa que teve de tudo!


10) E tive uma conversa de segundos com Val, meu querido, que teve que dar o seu lugar no PC ao sobrinho :)... That's OK dear! We'll chat later!

Friday, September 07, 2007

Marc Chagall











































É como me sinto ao ser levantada num abraço...

Monday, September 03, 2007

Paulo José e suas lindas leituras no Fantástico

Amar (Drummond)
(foi ao ar no dia 26.08.07)

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.



Das Vantagens de Ser Bobo (C. Lispector)
(foi ao ar no dia 02.09.07)

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.


Amoureux de Vence
Marc Chagall

Thursday, August 23, 2007

CL

aaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Precisava gritar de prazer em ler Clarice Lispector!!!!!!

Tuesday, August 21, 2007

gosto dos q têm fome

SENHAS
(interpretada por Adriana Calcanhoto)

Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
Eu compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto de bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…

Wednesday, August 15, 2007

done!

Ontem. Fazendo minha primeira tattoo. Se doeu?? É, um pouco. Angústia grande é aquele momentozinho segundos antes de começar, qdo não se tem idéia se a dor vai ser grande ou não. Mas com o resto, acostuma-se :) Bom, na foto, o povo q foi comigo - Pris e meu irmão Joely! Foi fundamental ter eles por lá! A minha cara de dor foi pose pra foto (será?)... Ao fundo, Hugo (o tatuador) fazendo sua arte. Adorei o resultado! Depois coloco uma foto só dela e falo sobre a escolha do desenho :)

Sunday, August 12, 2007

Ainda vou ter uma dessa! :)

Descobri que existe a moto dos meus sonhos nesse fim de semana no 2º Campina Grande Bate e Fica. É essa aí: uma Shadow da Honda. E dessa cor! Muito linda!!! Quero umaaaa!!!

Saturday, August 11, 2007

pois sabe que tem asas...

"Soyons comme l'oiseau
Posé pour un instant
Sur le rameau trop frêle.
Qui sent trembler la branche,
Et qui chante pourtant,
Sachant qu'il a des ailes."
(versos de Sully Phrudomme, o primeiro "nobelado" em literatura em 1901)

Tradução
Sejamos como o pássaro,
Pousado por um momento
Na ramagem frágil
Que sente tremer o galho,
Mas mesmo assim canta,
Pois sabe que tem asas.
(Tradução pelo queridíssimo Renard)

Thursday, August 09, 2007

Coisas mais fofas!!!

My little girls working...
[Play in English Red - Nathalya, Gabi e Flavinha]

Flavinha contorcionista! Olha como ela faz a tarefa confortavelmente... :S
E viva as aulas de ballet! Cadê o Cirque du Soleil que não vê uma coisa dessa?!?
:D

Sunday, August 05, 2007

Amor próprio

Essa desorganização em mim é fruto do que tenho vivido ultimamente. São fatos desorganizados que me desorganizam e que me organizam. Essa desorganização me permite conhecer minha organização. Enxergo outras coisas hoje. Quer dizer, não sei se enxergava antes, talvez eu estivesse tentando entender o que tateava. Minha semente é boa e ingênua, mas cega. Permita-me entender-me. Boa e ingênua, sensível também. Cega porque tinha medo de enxergar, mas sabia, sempre soube, que enxergar existia. Sou sensível, sempre fui, mas tinha medo de enxergar porque enxergar vai longe e tinha medo de me perder. Hoje, não mais me perco porque enxergo. Decidi enxergar. Ah, eu tenho uma Bússola também, tinha antes, mas como não a enxergava, não a entendia. Eu sabia que a tinha, eu a sentia. Hoje sinto, vejo e a entendo. Ela me guia, não mais me perco. Somos só eu e a Bússola, é suficiente. Mais que isso é excesso, prefiro ser só. Humanos não me entendem, não se entendem. Mas eu me entendo; entendo tanto a ponto de entender que às vezes não me entendo e isso me basta. Hoje reconheço o deserto em que me encontro. Às vezes, tenho miragens, mas não são frutos de minha imaginação, são os humanos nos seus desertos privados vizinhos que invadem o meu e que me chamam para o deles, ou simplesmente querem ficar um pouco no meu. O problema dessas miragens é que elas não se mostram claramente, são distorcidas e por isso podem me desviar (nem sempre intencionalmente) do caminho que tenho que seguir. Eu também invado o deserto deles de vez em quando e reconheço que me apresento também como miragem, mas sempre tento ser o mais clara possível; nem sempre consigo, nem sempre posso. Bom, mas aí é com eles. Eles tem que se conhecerem o máximo possível para serem eles mesmos e não se deixarem enganar. Não que eu os tente enganar, não. O problema é que eles podem se enganar comigo. Não os culpo por não enxergarem. Mas há os que enxergam e com eles se torna mais fácil porque não me responsabilizo pelo sentido que às vezes não faço para eles. Com os que não enxergam, às vezes sofro por não fazer sentido e não poder fazer quase nada por eles, a não ser viver e fazê-los entender que não entender também é viver.

Friday, August 03, 2007

Hanging out to celebrate!

Da esquerda pra direita: Grace, eu, Wirton, eu e Rodrigo.

A qualidade da foto não ficou boa, especialmente depois de uma montagem. No entanto, a qualidade dessas 3 pessoas que estão nela é sem igual! Grace, Wirton e Rodrigo foram meus alunos no curso de férias do Interlink 4 na Cultura Inglesa. Foi um prazer gigantesco ter essas figuras como companheiros em sala de aula. Sim, porque apesar de ter sido a professora deles, esse processo de ensino-aprendizegem é bem cíclico - ensinamos e aprendemos uns com os outros. E é exatamente isso que me faz amar o que faço. Esse dia foi nossa confraternização pós-conclusão do curso - Rodrigo patrocinou a cerveja e Wirton os petiscos. Grace e eu nos damos bem! LOL! Conversa tava boa...! Pena que eu tinha que dar aula na manhã seguinte :( Tinha mais alunos nessa turma, mas os danados resolveram ter outros compromissos nessa noite... e Jullyana (furona!) disse q aparecia por lá depois da festa que tinha que ir e nem deu as caras. Ela ainda apareceu depois que saímos, Rodrigo??? Bom, foi massa conhecê-los, Interlink 4! Tomara que a gente se encontre de novo por aí! Muitíssimos bjs!